sexta-feira, 19 de maio de 2017

Salmo 19 - Explicação

O Salmo 19, um salmo de sabedoria, celebra a Palavra de Deus no contexto da criação. Assim, tanto é um salmo da criação quanto um salmo da Torá. Tanto os salmos da criação quanto os da Torá são vistos como subgrupos dos salmos de sabedoria. O poema se inicia nos céus, depois fala da Palavra, e culmina no coração do servo de Deus. O poema possui três partes: (1) celebração da grandeza da criação de Deus (v. 1-6); (2) celebração da pureza da Palavra de Deus (v. 7-11); (3) pedido de reconsideração da vida pessoal e de aceitação por Deus (v. 12-14).

19.1-6 —
Toda a criação, incluindo os céus, revela a glória e a majestade de Deus (Rm 1.18-20). Firmamento é outra palavra para os céus (Gn 1.6). A ampla extensão que vemos é um testemunho da perícia de Deus (Sl 8.3). Do ponto de vista da terra, nenhum corpo celeste é tão maravilhoso quanto o sol. No antigo Oriente Médio, o Sol era comumente visto como deus. Neste poema, nada mais é que um símbolo maravilhoso do Criador.Qual noivo. É assim representado como que nele se glorificasse seu Criador.

19.7-11 — A lei é a Torá, que significa instrução ou orientação. Este trecho (v. 7-9) apresenta seis palavras para falar da lei de Deus: lei; testemunho; preceito; mandamento; temor; e juízos; seis avaliações da lei: perfeita; fiel; reta; pura; limpa; e verdadeira; e seis resultados seus: refrigera a alma; dá sabedoria aos símplices; alegra o coração; alumia os olhos; permanece eternamente; e é justa. O valor das Escrituras não pode ser comparado a qualquer outra coisa desejável — nem mesmo ao ouro. A lei dá o segredo da sabedoria, da alegria e, o mais importante, da vida eterna.

19.12-14 — Os próprios erros. A discussão da natureza e da perfeição da lei de Deus leva o salmista a considerar a própria imperfeição. Ele sabe ter erros que são ocultos e pecados de soberba. Pede para ser purificado de ambos. Sua prece final corresponde a Salmos 139.23,24. Libertador meu representa Deus como Aquele que obtém nossa liberdade de quaisquer grilhões ou escravidão. O sentido principal da palavra é defensor dos direitos da família.


Extraído:
Biblioteca bíblica

domingo, 14 de maio de 2017

A Bíblia é Historicamente Confiável?



Em 1947, uma descoberta feita tornara-se o mais importante achado arqueológico do século 20. A história começa quando um jovem pastor beduíno chamado Mohammed estava à procura de um bode perdido. Ele atirou uma pedra em um buraco em um penhasco do lado oeste do Mar Morto, cerca de 13 quilômetros a sul de Jericó. Para sua surpresa, ele ouvira o som de cerâmica quebrando. Investigando, ele encontrara algo surpreendente. No chão da caverna havia vários jarros grandes, alguns dos quais continham rolos de couro envoltos em pano de linho. Em virtude dos jarros terem sido cuidadosamente selados, os rolos foram preservados em excelente condição por, aproximadamente, 1900 anos. Eles foram, evidentemente, colocados ali antes da queda de Jerusalém em 70 E.C.




O Valor dos Manuscritos do Mar Morto


Até a descoberta dos manuscritos de Qumrã, que datam do terceiro século A.E.C. ao primeiro século E.C., os mais antigos manuscritos do Antigo Testamento eram um fragmento de Deuteronômio 6:4 (Papiro de Nash), datado do primeiro século A.E.C., uns poucos fragmentos bíblicos da Guenizá do Cairo (um depósito em uma sinagoga), datando do quinto século A.E.C. e os textos massoréticos[1] do nono ao décimo primeiro E.C.


O mais antigo manuscrito hebraico completo do Antigo Testamento, o Códice de Leningrado, data da primeira década do décimo primeiro século E.C. A grande importância dos Manuscritos do Mar Morto é, portanto, o fato que os mais antigos manuscritos datam apenas cerca de duzentos anos depois que o último livro do Antigo Testamento fora completado.




Graças aos Manuscritos do Mar Morto, temos, agora, manuscrito completo do texto hebraico do Livro de Isaías e fragmentos da maioria dos outros livros bíblicos que são mais do que mil anos mais antigos do que o manuscrito existente previamente conhecido.


O significado desta descoberta tem a ver com a precisão em detalhes do manuscrito de Isaías (cerca de 125 A.E.C.) com o Texto Massorético de Isaías mil anos de diferença. Demonstra a precisão incomum dos copistas da Escritura durante um período de mil anos. Quando o Texto Massorético fora comparado com os textos de Qumran, descobriu-se serem quase idênticos.


Ainda que as duas cópias de Isaías descobertas na Caverna 1 de Qumran próximas do Mar Morto em 1947 fossem milhares de anos anteriores aos mais antigos manuscritos previamente conhecido datado de 980 E.C., provaram, palavra-por-palavra ser idênticas a nos Bíblia Hebraica padrão em mais de 95% do texto. Os cinco por cento de variação consistiam principalmente de deslizes óbvios de escrita e variações ortográficas. Mesmo aqueles fragmentos do Mar Morto de Deuteronômio e Samuel que apontam a uma diferente família de manuscrito da qual o nosso texto hebraico recebido se baseia não indicam quaisquer referências em doutrina ou ensino. Eles não afetam a mensagem da revelação em ponto algum.[2]


Podemos, portanto, saber que nosso presente texto do Tanach/Antigo Testamento, baseado no Texto Massorético, é praticamente idêntico com o texto hebraico em uso na época de Jesus. Não há, portanto, razões para duvidar que o que os autores do Tanach/Antigo Testamento escreveram é, substancialmente, o mesmo que temos em nossas Bíblias hoje.




Nenhum outro escrito antigo comparado com o Tanach/Antigo Testamento tem sido transmitido tão precisamente, principalmente pelo fato dos escribas judeus e os massoretas tratarem a Palavra de Deus com a mais profunda reverência que se possa imaginar. Eles desenvolveram um complicado sistema de contagem dos versos, palavras e letras do texto como salvaguarda contra quaisquer deslizes dos escribas. Quaisquer manuscritos não mensurados de acordos com tais normas eram enterrados ou queimados.


A Transmissão do B’rit Hadashah/ Novo Testamento


Todos os livros do Novo Testamento foram escritos durante a segunda metade do primeiro século: Gálatas e as duas cartas aos Tessalonicenses por volta do ano 50 E.C. e o Evangelho de João e o Livro de Apocalipse por volta de 90–100 E.C.


Assim como com o Antigo Testamento, todos os autógrafos [do Novo Testamento] se perderam. Contudo, em razão dos livros do Novo Testamento serem os livros mais frequentemente copiados e amplamente circulados na antiguidade, temos hoje mais de cinco mil manuscritos gregos do Novo Testamento.




Nenhum outro livro na antiguidade tem um número próximo de manuscritos sobreviventes. Para efeitos de comparação, “a Ilíada de Homero é o segundo com 643 manuscritos que ainda sobrevivem. O primeiro texto completo preservado de Homero data do século treze. ”[3]


Para a Guerra Gálica de César (composta entre 58 e 50 A.E.C.), há vários manuscritos sobreviventes, mas apenas nove ou dez são bons e os mais antigos datam cerca de nove séculos depois dos dias de César. Dos 142 livros da História Romana de Lívio (59 A.E.C.–17 E.C.), apenas 35 sobreviveram; desses os quais conhecemos, não mais de 20 manuscritos são relevantes e apenas um deles, contendo fragmentos dos Livros II–VI, é tão antigo quanto o quarto século.[4]


Os Manuscritos da B’rit Hadashah/Novo Testamento


O mais antigo manuscrito dentre os mais de cinco mil manuscritos gregos conhecidos do Novo Testamento é um pequeno fragmento de papiro (chamado P52) datado por vota de 130 E.C. contendo porções de João 18:31–33, 37 e 38.


O papiro Chester Beatty (nomeado assim em virtude de seu proprietário original) remonta ao segundo e ao terceiro século e consiste de um papiro contendo porções de todos os quatro evangelhos e Atos, quase todas as Epístolas de Paulo, o Livro de Hebreus e Apocalipse 9–17. Do mesmo período de tempo, temos o papiro Bodmer (também nomeado assim em virtude de seu proprietário original) que contém os evangelhos de Lucas e João e as cartas à Judas e 1 e 3 Pedro. Todos esses papiros vieram do Egito, onde o clima seco ajudou a preservá-los.




O mais completo manuscrito do Novo Testamento, escrito em velino (pergaminho), remonta ao quarto século: (1) o Códice Sinaítico, descoberto por Constantine von Tischendorf no Monastério de Santa Catarina (ao pé do Monte Sinai, remonta a metade do quarto século e contém o Novo Testamento Grego por completo. (2) Códice Vaticano, da biblioteca do Vaticano, é data como pouco anterior ao Sinaítico e contém o Novo Testamento até Hebreus 9:14. Em termos de texto, o Códice Vaticano é considerado o mais valioso de todos os manuscritos do Novo Testamento existentes. Outros três importantes manuscritos são o Códice Alexandrino, Códice de Beza e o Códice Ephraemi do quinto século.


Em acréscimo aos 3200 manuscritos aproximadamente, que são manuscritos de texto contínuo, temos outros 2200 manuscritos lecionários. Lecionários são “manuscritos nos quais o texto dos livros do B’rit Hadashah/Novo Testamento estão divididos em perícopes [seções] separadas, organizadas de acordo com sua sequência como lições apontadas para o calendário da igreja.”[5] Apenas uns poucos desses lecionários remontam ao quarto século, a maioria foram escritos após o oitavo século.


Crítica Textual da B’rit Hadasha/ Novo Testamento


Temos visto que não há qualquer corpo literário na história que goze de tamanha riqueza de manuscritos como o Novo Testamento. Embora este fato produza seus próprios problemas. Quanto mais manuscritos, maiores as variações textuais criadas por erros de escribas. Se um escriba estive ouvindo um ditado, ele poderia cometer enganos com palavras que soam de forma semelhante; se ele estivesse copiando de um manuscrito diante dele, ele poderia errar uma palavra ou outra parecida. Ou seus olhos poderiam pular de uma palavra a outra ocorrência da mesma palavra ou a uma outra palavra que tivesse o mesmo fim e, assim, uma porção do texto poderia ser pulada ou escrita duas vezes. Críticos textuais procuram reconstruir tão acurado quanto possível a terminologia do texto bíblico.




O estudioso clássico inglês Sir Frederic Kenyon declarou: “É reconfortante no final descobrir que o resultado geral de todas essas descobertas e de todo esse estudo é fortalecer a prova da autenticidade das Escrituras e a nossa convicção que temos em nossas mãos, em integridade substancial, a autêntica Palavra de Deus. ”[6] Deve, também, ser, claramente, avisado que apesar de tantas variantes textuais nos manuscritos, nenhuma delas afeta qualquer ponto da fé e prática cristã.


A Evidência Arqueológica


Embora a arqueologia não possa comprovar as verdades espirituais da Bíblia, ela pode iluminar e esclarecer as circunstâncias históricas de numerosas passagens e, desta forma, validar a historicidade de muitos eventos registrados na Escritura. Dentre as mais importantes descobertas da arqueologia que fundamentam a confiabilidade histórica da Escritura estão as seguintes:




1- A Estela de Hamurabi (cerca de 1700 A.E.C.) foi encontrada por arqueólogos franceses no inverno de 1901–1902 em Susã, a Susã bíblica de Daniel 8:2 e encontra-se, atualmente, em exibição no Museu do Louvre em Paris. Contém cerca de 280 leis, muitas das quais são estritamente similares às leis mosaicas: 
Hamurabi Nº 14 — “Se um cidadão e vender um membro da casa de outro cidadão para a escravidão, a sentença, então, será a morte. ” 


Êxodo 21:16 — “O que raptar alguém e o vender, ou for achado na sua mão, será morto.” 
Hamurabi Nº 196 3 197 — “Se um cidadão cega o olho de um oficial, seu olho, então, será cegado. Se um cidadão quebra um osso de outro cidadão, seu próprio osso, então, será quebrado.” 
Êxodo 21:24 — “olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.” 


A descoberta da Estela de Hamurabi e de outros antigos códigos de leis liquidaram com o velho criticismo que as leis do Pentateuco não poderiam remontar do tempo de Moisés.




2 – A Estela de Merneptah (cerca de 1200 A.E.C.) foi encontrada por Sir Flinders Petrie no templo mortuário em Tebas e publicada em 1897. Encontra-se, atualmente, em exibição no Museu do Cairo. A estela celebra a vitória do Faraó Menerptah (1213–1203 A.E.C.) sobre as forças rebeldes em suas possessões asiáticas. Contém a mais antiga referência ao povo de Israel no mundo antigo.




3 – A Pedra Moabita (cerca de 850 A.E.C.) encontra-se em exibição no Museu do Louvre. Em 1868, um xeque árabe, no Dibã, mostrou ao missionário alemão F. Klein, uma placa com inscrições que media 116 cm de altura, 61 cm de comprimento e 25 cm de espessura. Oficiais franceses e alemães mostraram interesse na pedra. Um orientalista francês, Ch. Clermont-Ganneau, consegui obter uma “estampa,” isto é, uma impressão fac-símile, da inscrição. Isso foi muito afortunado, pois os Árabes, compreendendo que eles tinham algo valioso, a quebraram em pedaços. Os fragmentos foram, então, levados para abençoar seu grão. Nem todos os fragmentos foram recuperados, mas a inscrição tem sido restaurada. Reconta a estória da rebelião do rei Moabita Mesha contra o rei de Israel. Suplementa o registro das relações de Israel com Moabe como relatado em 2 Reis 3. 
Pedra Moabita — “Omri, governante de Israel, invadiu Moabe anos após anos porque Quemós, o padroeiro divino de Moabe, estava furioso com seu povo. Quando o filho de Omri o sucedeu durante o meu [governador de Moabe] reino, ele bradou: “Eu, também, invadirei Moabe.” Todavia, eu derrotei o filho de Omri e afugentei Israel da nossa terra para sempre.” Omri e seu filho governaram as planícies de Madaba por 40 anos. 


2 Reis 3:4–5 — “Então, Mesa, rei dos moabitas, era criador de gado e pagava o seu tributo ao rei de Israel com cem mil cordeiros e a lã de cem mil carneiros. Tendo, porém, morrido Acabe, revoltou-se o rei de Moabe contra o rei de Israel. ”

4 – O Obelisco Negro de Shalmaneser III (cerca de 840 A.E.C.) foi descoberto em 1846 por A. H. Layard em Nimrud. Encontra-se em exibição no Museu Britânico. Mostra o rei israelita Jeú pagando tributo ao rei Assírio e provê evidência extra bíblica para a dominação assíria sobre Israel assim como para a existência de Jeú como rei de Israel. “A Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei sobre Israel e também Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar” (1 Rs 19:16).[7]




5 – O Prisma de Taylor (cerca de 690 A.E.C.) encontra-se no Museu Britânico. Foi encontrado em Nínive e contém as campanhas militares de Senaqueribe (705–681 A.E.C.), rei da Assíria. A passagem mais conhecida descreve o cerco sem sucesso de Senaqueribe a Jerusalém nos dias de Ezequias, conforme registrado em 2 Reis 19 e Isaías 36 e 37. O registro assírio concorda, tacitamente, como o registro bíblico por não fazer qualquer relato que Jerusalém fora tomada. O prisma de barro hexagonal diz: “Eu [Ezequias] fui um prisioneiro em Jerusalém, sua residência real, como um pássaro na gaiola.” De acordo com 2 Reis 19:35–36, Senaqueribe foi incapaz de capturar Jerusalém porque “naquela mesma noite, saiu o Anjo do SENHOR e feriu, no arraial dos assírios, cento e oitenta e cinco mil … Retirou-se, pois, Senaqueribe, rei da Assíria, e se foi; voltou e ficou em Nínive.”




6 – A Estela de Tel Dan (nono ou oitavo século A.E.C.) é uma estela de basalto negra erigida por um rei arameu no extremo norte de Israel, contém uma inscrição aramaica para comemorar sua vitória sobre os antigos israelitas. Somente fragmentos da inscrição restaram, mas claramente legível está a frase “casa de Davi” (1 Sm 20:16). Jeorão, filho de Acabe (2 Reis 8:16), aparece, também, na inscrição. Esta é a primeira vez que o nome “Davi” tem sido reconhecido em qualquer sítio arqueológico. Como a Pedra Moabita, a Estela de Tel Dan parece um típico memorial intencionado como uma espécie de propaganda militar, que ostenta as vitórias de Azael ou de seu filho.




7 – As Crônicas Babilônicas (sexto século A.E.C.) são tabletes de barro que apresentam um registro conciso dos principais eventos internos na Babilônia. Eles descrevem a queda de Nínive em 612 A.E.C. (Zc 2:13, 15), a batalha de Carquemis e submissão de Judá em 605 A.E.C. (2 Reis 24:7; Dn 1:2), a captura de Jerusalém em 597 A.E.C. (2 Rs 24:10–17) e a queda da Babilônia para os Persas em 539 A.E.C. (Is 45:1; Dn 5:30). Em conexão com a queda de Babilônia, as crônicas se referem a Belsazar (Dn 5:1), que fora co-regente com seu pai Nabonido, o último rei da Babilônia.




8 – A Inscrição de Pôncio Pilatos (primeiro século E.C.) foi encontrada em 1961 no teatro da Cesaréia Marítima, a cidade da residência de Pilatos na Palestina. Entre as poucas linhas ainda legíveis estão as palavras “Pôncio Pilatos Prefeito da Judéia.” A inscrição é a primeira evidência arqueológica para Pilatos, aquele diante de quem Jesus fora julgado e condenado a morte (Mt 27:11–26).




9 – Inscrições politarcas. Críticos do Novo Testamento argumentavam que Lucas estava enganado em chamar os magistrados chefes em Tessalônica de politarcos (At 17:6), um título não encontrado na literatura clássica existente. Em meados do século dezenove, diversas inscrições usando este termo têm sido encontradas em cidades macedônicas, incluindo Tessalônica.


Aparte dessas maiores descobertas, das quais existem outras, têm havido muitos achados menores, tais como anéis e selos, que têm confirmado a confiabilidade histórica da Escritura.




William F. Albright, provavelmente o maior arqueólogo do século 20, cujo a linha teológica nos anos de 1920 era um “radicalismo extremo”, viera apreciar o valor histórico da Escritura e escreveu em 1956: “Não restam dúvidas de que a Arqueologia tem confirmado a substancial historicidade da tradição do Antigo Testamento. ”[8] O mesmo sendo verdade com o Novo Testamento. Concernente a Lucas, o historiador do Novo Testamento F. F. Bruce escreveu: “Nosso respeito para com a confiabilidade [histórica] de Lucas continua a crescer a medida que nosso conhecimento deste campo aumenta. ”[9]


A Evidência Profética


O propósito da profecia não satisfazer a curiosidade humana acerca do futuro, mas revelar importantes fatos sobre a natureza de Deus —Sua onisciência, Seu controle sobre todas as nações e seus planos para o povo de Deus. Ademais, profecias cumpridas são uma importante evidência para a inspiração e a confiabilidade da Palavra de Deus. A duas profecias explicadas abaixo são representativas de muitas outras profecias encontradas no Antigo e no Novo Testamento.




Daniel 2 — O Livro de Daniel foi escrito no sexto século A.E.C.; mas duas profecias proveem evidência para o fato que a história está sob o controle de Deus. Daniel interpreta a imagem no capítulo 2 como quatro impérios mundiais sucessivos, começando com a Babilônia como o primeiro império (Dn 2:38). O quarto império seguir-se-ia por muitos impérios ou nações menores, simbolizadas pelos 10 dedos (Dn 2:41–43). Essas nações continuariam até o reino de Deus, simbolizadas pela rocha cortada “sem auxílio de mãos” esmiuçando a imagem em retalhos (Dn 2:34), que seria estabelecido sobre a terra (Dn 2:44).




Esta profecia encontrou um cumprimento memorável na história. Babilônia foi sucedida por outros três impérios mundiais: Medo-Pérsia, Grécia e Roma que foi dividia em muitos fragmentos de reinos que ainda existem na Europa e ao redor do Mar Mediterrâneo. A única parte da profecia ainda não cumprida é a chegada do reino de Deus.




Miqueias 5:2 — De acordo com a profecia em Miqueias 5:2, o Messias nasceria em Belém. Os Evangelhos nos contam que embora os pais de Jesus moravam em Nazaré, por causa de um censo no Império Romano, José e Maria tiveram que viajar para Belém, a cidade ancestral de José, onde Jesus fora nascido (Lc 2:4–7).


Enquanto a Bíblia comprova-se por si mesma, isto é, os próprios livros da Escritura testificam da sua verdade inspirada por Deus; a evidência manuscrita, assim como a evidência arqueológica e profética, confirma a confiabilidade da Escritura. Os Manuscritos do Mar Morto e outros manuscritos encontrados têm demonstrado a confiabilidade textual da Bíblia e as muitas descobertas arqueológicas dão base a confiabilidade histórica da Escritura. Embora a Arqueologia não possa comprovar que a Bíblia seja verdadeira, confirma o contexto histórico da Bíblia.


“O que a arqueologia bíblica nos oferece é o ampliar a vista do horizonte o qual possamos ver a Bíblia e seu mundo. O quadro agora é maior e o contexto mais amplo. ”[10] 


Finalmente, o cumprimento das profecias bíblicas confirma o clamor bíblico que “porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Ruach haKodesh/Espírito Santo” (2 Pe 1:21).






Rosh Gerhard Pfandl serviu na Áustria e na Associação Californiana. De 1977 a 1989 foi Professor de Religião no Seminário Bogenhofen na Áustria. Antes de juntar-se ao quadro do Biblical Research Institute em 1999, serviu por sete anos como Secretário de Campo na Divisão Pacífico Sul em Sidney na Austrália. Pfandl publicou mais de 120 artigos acadêmicos e populares em Alemão e Inglês e é o autor de diversas Lições da Escola Sabatina e de livros como The Time of the End in the Book of Daniel e Daniel: The Seer of Babylon.


Tradução: Hugo Martins, ligeiramente contextualizado por Herança Judaica.






[1] Os massoretas (500–1000 E.C.) eram estudiosos judeus que adicionaram vogais ao texto consonantal hebraico.


[2]Gleason A. Archer, A Survey of the Old Testament (Chicago: Moody Press, 1974), p. 25.






[3]Charles Leach, Our Bible. How We Got It and Ten Reasons Why I Believe the Bible Is the Word of God (Chicago: Moody Press, 1900), p. 145.


[4] F. F. Bruce, The Book and the Parchments (London: Marshall and Pickering, 1991), p. 170.






[5] Ibid., p. 163.






[6] Frederic Kenyon, The Story of the Bible (Grand Rapids, Mich.: William B. Eerdmans, 1967), p. 113.






[7] Todos os textos da Bíblia neste artigo são da Versão Almeida Revista e Atualizada.






[8] William F. Albright, Archaeology and the Religion of Israel (Baltimore: Johns Hopkins, 1956), p. 176.






[9] F. F. Bruce, The New Testament Documents: Are They Reliable? (London: Inter-Varsity Fellowship, 1960), p. 91.






[10] Edgar Jones, Discoveries and Documents: Introduction to the Archaeology of the Old Testament (London: Epworth Press, 1974), p. 4.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

"Guerras e Rumores de Guerras"


Entendendo a Profecia de Mateus 24

Mateus 24 é citado freqüentemente para explicar eventos atuais. Muitas pessoas sugerem que as notícias de hoje foram preditas por Cristo, para nos falar de sua volta. De acordo com tais interpretações deste texto, cada terremoto ou outro desastre natural, e cada conflito entre nações ou ameaça de guerra, em qualquer canto do mundo, é mais uma prova de que Jesus estará voltando logo.

Mas a profecia de Mateus 24 está se cumprindo agora? Para entender este texto, precisamos lê-lo cuidadosamente e, com mente aberta, pondo de lado nossas idéias preconcebidas e o sensacionalismo dos modernos "especialistas em profecias." Neste artigo, consideraremos brevemente o conteúdo de Mateus 24 e 25. (Marcos 13 e Lucas 21 tambêm registram a mesma profecia básica. Este artigo segue o testo de Mateus 24)
O Ambiente e as Circunstâncias

Jesus estava em Jerusalém, durante sua semana final. Os chefes judeus já haviam desafiado sua autoridade, mas não tinham tido sucesso em suas tentativas para desacreditá-lo. Frustrados, começaram a planejar sua morte. Jesus lamentava a infidelidade daqueles que residiam na "Cidade Santa" (Mateus 23:37-39).

A Profecia Básica da Destruição do Templo (Mateus 24:1-3)
Quando Cristo estava saindo do templo, predisse que ele seria totalmente destruído: "Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada" (24:2). Os apóstolos perguntaram sobre esta profecia:" Dize-nos quando acontecerão estas cousas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século" (24:3).

A Resposta de Jesus (Mateus 24:4-39)
É possível que os apóstolos tenham concluído que a destruição do templo e o fim do mundo aconteceriam ao mesmo tempo, mas nesta resposta a sua pergunta, Jesus fez uma distinção entre estes dois acontecimentos. Podemos saber com certeza que os sinais mencionados nos versículos 4-33 não estão falando das notícias de hoje ou de acontecimentos futuros, por causa das claras palavras de Jesus no versículo 34: "Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça." Jesus falou mais ou menos no ano 30 d.C. O templo foi destruído pelo exército romano em 70 d.C. Alguns daqueles que ouviram a profecia viveram para ver seu cumprimento. Jesus esclareceu que os sinais que ele deu guerras, terremotos, falsos Cristos, grande tribulação, etc. iriam acontecer durante a vida de alguns dos seus ouvintes.

Jesus disse que o templo seria destruído depois da vinda de falsos Cristos e de falsos profetas (24:4-5,11,23-26), e depois de terríveis calamidades (guerras, fomes e terremotos - 24:6-8). Ele também disse que haveria perseguição (24:9-10) e aumento de pecado (24:12-13), e que o evangelho seria pregado por todo o mundo (24:14), antes que Jerusalém chegasse ao seu fim. Deste modo, Jesus estava dando algum conforto aos seus apóstolos, dizendo que a queda de Jerusalém não aconteceria imediatamente. Eles teriam tempo para cumprir sua missão antes da destruição de Jerusalém.

Estas coisas aconteceram antes de 70 d.C.? Sabemos que sim, porque Jesus disse que aconteceriam! Além desta profecia, a História nos fala de catástrofes naturais, perseguições e guerras, nesse tempo. De maior importância do que a evidência histórica, podemos nos voltar para a própria Bíblia. O Novo Testamento fala do sofrimento da fome (Atos 11:27-30), de falsos profetas (2 Pedro 2) e da perseguição contra os fiéis (Atos 8:1-3; etc.). E, exatamente como Jesus predisse, os zelosos discípulos levaram o evangelho a todo o mundo. Alguns anos antes da destruição do templo, Paulo dizia que o evangelho ". . . foi pregado a toda criatura debaixo do céu" (Colossenses 1:23). Todas estas coisas tinham que acontecer antes da destruição do templo.

Na profecia de Mateus 24, Jesus também falou dos sinais que mostrariam aos discípulos alertas que o tempo da queda de Jerusalém tinha chegado. Ele falou especialmente do "abominável da desolação" (24:15). Aqui, ele usa a mesma linguagem que Daniel usava para falar dos exércitos gentios entrando na cidade santa e no templo (veja Daniel 9:27; 11:31; 12:11). A profecia paralela de Lucas 21:20-24 torna claro que este é o significado desta linguagem. Jesus advertiu seus seguidores que estivessem prontos para fugir quando isto acontecesse. Ele disse que eles deveriam orar para que sua fuga não fosse complicada por mau tempo ou restrições do dia do sábado (24:20)

[Algumas pessoas interpretam esta referência ao sábado como evidêcia de que os cristão têm que continuar a observar esta lei do Velho Testamento, que era realmente um sinal da aliança entre Deus e os israelitas (Êxodo 31:12-18). Uma explicação melhor deste texto é encontrada em Neemias 13:15-22, onde Neemias instituiu a prática de fechar as portas da cicade no sábado para evitar violações da lei, durante o tempo do Velho Testamento.]

Ele também avisou que seria mais difícil para as mulheres grávidas e mães de crianças pequenas (24:19).

Para fixar sobre seus ouvintes o significado deste terrível dia de destruição, Jesus usou linguagem como a que encontramos nas profecias do Velho Testamento, de total destruição de nações e povos. Quando lemos os versículos 29-31, dois pontos nos ajudam a perceber que Jesus ainda está falando de Jerusalém, e não do fim do mundo:

1. O limite de tempo que Jesus determinou em sua profecia, no versículo 34. Tinha que ser cumprido naquela geração.

2. O fato que as profecias do Velho Testamento usam a mesma linguagem para falar da destruição de reinos e cidades terrestres. Jesus disse: "Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados" (24:29). À primeira vista, isso pode soar como o fim literal do mundo. Mas tal linguagem é usada em outros lugares, para falar da extinção de reis e reinos aqui na terra: Faraó do Egito (Ezequiel 32:2,7-10), nações gentias (Joel 3:12-15), Babilônia (Isaías 13:9,10,13). É claro que tal linguagem não profetiza, necessariamente, o fim do mundo, mas pode ser usada para falar dos julgamentos físicos contra nações, que ocorreram há muito tempo.

Jesus continuou, nos versículos 30 e 31, com figuras de julgamento do que se encontram no Velho Testamento. Ele disse que o Filho do homem viria nas nuvens, para julgar e salvar. Encontramos linguagem semelhante em passagens que falam do julgamento contra povos físicos, tais como Joel 3:16 e Amós 5:17-20. O Dia do Senhor não é necessariamente a segunda vinda de Cristo. Tal linguagem pode descrever a vinda de Deus em julgamento contra uma nação ou cidade.

Por que Jesus deu aos seus seguidores tais sinais detalhados sobre o julgamento contra Jerusalém? É claro, pela linguagem dos versículos 32-33, que ele queria que estivessem alertas e vigilantes. Se pudessem ver os sinais que ele tinha predito, teriam oportunidade para fugir e evitar serem destruídos (24:15-20).

Depois de afirmar que a destruição do templo seria acompanhada por claros sinais e que seria cumprida naquela geração (24:34-35), Jesus falou, nos versículos 36-39 ". . . a respeito daquele dia . . ." que viria sem aviso. Ele não deu uma data, nem sinais para identificar sua segunda vinda. De fato, nos versículos seguintes, ele mostra que sua segunda vinda ser súbita, inesperada e sem sinais de advertência.

Parábolas do Julgamento Final (Mateus 24:40 - 25:30)

Depois de falar de coisas que tinham que acontecer naquela geração (até os versículos 34-35), Jesus falou de sua segunda vinda, como algo que aconteceria no momento escolhido pelo Pai, porém não revelado a ninguém (24:36-39). Ele ressalta este ponto com uma série de parábolas que descrevem sua segunda vinda. Estas parábolas todas enfatizam à importância de se estar preparado para sua volta. Jesus falou dos trabalhadores no campo (24:40-42), do ladrão na noite (24:43-44), da diferença entre os servos bons e os maus (25:45-51), do contraste entre os tolos e os prudentes (25:1-13) e da importância de preparar-se para a volta do Mestre, como é explicado na parábola dos talentos (25:14-30).

Descrição do Julgamento Final (Mateus 25:31-46)
A parte final do capítulo 25 descreve o julgamento final, mostrando que Jesus se sentará no trono do julgamento, separando os servos desobedientes dos fiéis. Essa separação será final: "E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna"(25:46).

Aplicações

Entre as muitas lições que podemos aprender, no estudo deste texto, é importante que lembremos duas:

1. Que o cuidadoso estudo dos trechos bíblicos em seu contexto pode ajudar- nos a evitar que sejamos desencaminhados por doutrinas humanas sensacionalistas, tais como o pré-milenismo. Deveríamos sempre começar pela Bíblia, e não pelas últimas manchetes dos jornais.

2. Que precisamos estar sempre preparados para a volta de Cristo. Ele não enviará sinais para nos avisar da sua volta. Pode acontecer daqui a milhares de anos, ou pode acontecer hoje à noite. Ladrões não mandam cartas com antecedência para avisar suas vítimas, e Deus não mandará aviso antecipado da volta de Cristo. Aqueles que estão preparados, nada têm a temer. Os despreparados enfrentam o trágico futuro de eterno sofrimento, separados de Deus. Que cada um se prepare para estar com Cristo na eternidade!

- por Dennis Allan

Falsos Profetas


Norbert Lieth


Desde a queda no pecado existem brigas, ódio, assassinatos, homicídios, inveja, falsidade e engano. O autor do livro de Eclesiastes escreveu com razão: “...nada há que seja novo debaixo do sol” (Ec 1.9).


Já na época de Jeremias havia profetas pouco sóbrios, irrealistas e falsos, que desencaminhavam o povo com profecias enganosas. Mesmo quando as nuvens da tempestade do juízo se ajuntavam mais densas do que nunca sobre Jerusalém, eles acalmavam o povo. Suas declarações eram muito positivas e soavam edificantes, até mesmo encorajadoras aos ouvidos das pessoas. Eles prometiam muito, inclusive a vitória.


Em comparação, os ouvintes recebiam as mensagens de Jeremias como destrutivas, austeras e deprimentes, e só percebiam nelas a perspectiva do juízo. Tratava-se da justiça de Deus e da injustiça do povo, da sua falta de arrependimento e conversão. Como Jeremias deve ter se sentido diante deles?


O falso profeta Hananias apresentava uma “mensagem maravilhosa” e tinha a ousadia, e até mesmo a insolência, de proclamá-la abertamente: “No mesmo ano, no princípio do reinado de Zedequias, rei de Judá, isto é, no ano quarto, no quinto mês, Hananias, filho de Azur e profeta de Gibeão, me falou na Casa do Senhor, na presença dos sacerdotes e de todo o povo, dizendo: Assim fala o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Quebrei o jugo do rei da Babilônia. Dentro de dois anos, eu tornarei a trazer a este lugar todos os utensílios da Casa do Senhor, que daqui tomou Nabucodonosor, rei da Babilônia, levando-os para a Babilônia. Também a Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, e a todos os exilados de Judá, que entraram na Babilônia, eu tornarei a trazer a este lugar, diz o Senhor; porque quebrei o jugo do rei da Babilônia” (Jr 28.1-4). A isso Jeremias respondeu: “Disse, pois, Jeremias, o profeta: Amém! Assim faça o Senhor; confirme o Senhor as tuas palavras, com que profetizaste, e torne ele a trazer da Babilônia a este lugar os utensílios da Casa do Senhor e todos os exilados. (...) O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra, será conhecido como profeta, de fato, enviado do Senhor” (vv. 6,9). Hananias não ficou nem um pouco impressionado, mas fez o seguinte:“Então, o profeta Hananias tomou os canzis do pescoço de Jeremias, o profeta, e os quebrou; e falou na presença de todo o povo: Assim diz o Senhor: Deste modo, dentro de dois anos, quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei da Babilônia, de sobre o pescoço de todas as nações. E Jeremias, o profeta, se foi, tomando o seu caminho” (vv. 10-11). Para Jeremias a única opção era o afastamento. Mas o Senhor orientou-o para que voltasse até Hananias e lhe dissesse, entre outras coisas: “...O Senhor não te enviou, mas tu fizeste que este povo confiasse em mentiras. Pelo que assim diz o Senhor: Eis que te lançarei de sobre a face da terra; morrerás este ano, porque pregaste rebeldia contra o Senhor. Morreu, pois, o profeta Hananias, no mesmo ano...” (vv. 15-17). Todas as profecias mentirosas de Hananias foram soterradas pela areia da fantasia, pois Jerusalém foi definitivamente conquistada e todos os utensílios foram retirados do templo.


Em uma carta, Jeremias teve de escrever o seguinte aos líderes de Israel e a todo o povo que Nabucodonosor tinha levado para a Babilônia:“Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhos, nem deis ouvidos aos vossos sonhadores, que sempre sonham segundo o vosso desejo; porque falsamente vos profetizam eles em meu nome; eu não os enviei, diz o Senhor” (Jr 29.8-9). É interessante a proximidade significativa entre as falsas profecias e a adivinhação.


A situação hoje não é muito diferente: profecias bíblicas estão para se cumprir. A princípio as perspectivas não são boas, pois as nuvens da tribulação que se aproxima estão cada vez mais densas. Estamos cercados por más notícias. Indo de encontro a isso, prega-se em muitos lugares um evangelho puramente “positivo”, que ignora esses fatos e é recebido com atenção crescente:


– Avivamentos e curas são prometidos em larga escala. E embora, depois das reuniões, os doentes sejam tirados dos palcos ainda nas mesmas cadeiras de rodas nas quais chegaram, quase ninguém nota isso. O importante é o show!


– Faz-se do pecado algo inofensivo e fortalece-se a fé em si mesmo.


– A mensagem de exortação do Evangelho não é mencionada, e em vez disso espalha-se um evangelho do “sentir-se bem”.


Menciono alguns paralelos:


As advertências dos apóstolos são claras em relação aos últimos tempos, e não podemos negar que elas sejam cada vez mais pertinentes aos nossos dias:


“Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo” (2 Co 11.13).


“Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras...” (2 Pe 2.1).


“Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1 Jo 4.1).


“Porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos” (Rm 16.18).


Mas não devemos apontar para os outros sem olhar para nós mesmos, antes queremos aceitar essas exortações para nossa própria vida.


É claro que o Senhor pode falar de forma muito pessoal conosco por meio de uma palavra qualquer; provavelmente todo cristão pode testemunhar que isso acontece, alegrando-se com esse fato. Ainda assim não podemos aplicar os versículos bíblicos de forma aleatória e tola à nossa própria situação. Um exemplo: há algum tempo precisei ir com urgência à cidade de Hannover para conduzir um funeral. A previsão do tempo era a pior possível, havia alerta de tempestade, fortes nevascas, as ruas estavam escorregadias e os vôos estavam muito atrasados ou eram até cancelados. Alguns irmãos na fé aconselharam-me a não voar de jeito nenhum; seria muito melhor se eu viajasse com o trem noturno. Quanto mais eu prestava atenção aos amigos e ao meu próprio amedrontamento, mais inseguro ficava. Naquela noite tivemos uma reunião de oração. Alguns minutos antes do início abri minha Bíblia na esperança de, talvez, encontrar uma resposta ali. Meu olhar caiu sobre Lamentações 1.1-2:“...Tornou-se como viúva... Chora e chora de noite, e as suas lágrimas lhe correm pelas faces; não tem quem a console...” Lembrei da minha esposa – e fiquei ainda mais inseguro. Será que eu deveria viajar de avião? Conversei com ela em casa e ela disse que, em sua opinião, eu deveria voar despreocupadamente, pois voltaria são e salvo para casa. E, graças a Deus, foi o que aconteceu. Essa insegurança pode surgir quando arrancamos as passagens de seu contexto. É preciso estar atento para que tudo aquilo que ensinamos, pregamos ou aprendemos em nossa “hora silenciosa” corresponda ao fundamento bíblico e não seja arrancado de seu contexto. A Palavra de Deus não pode ser simplesmente moldada a fim de confirmar nossa opinião pré-concebida. Infelizmente, algumas traduções, versões ou comentários da Bíblia não raro são adaptadas a certas tradições. Tenta-se manter e endurecer opiniões tradicionais próprias por meio de versículos bíblicos. Mas assim a Bíblia é rebaixada a objeto e nós mesmos nos elevamos à condição de sujeitos. Basta lembrar da questão do sábado, da observação das festas e feriados judaicos, da ingestão de alimentos, do batismo e de outros temas semelhantes. Não importa se parece positivo ou negativo: se não corresponder ao ensino geral da Escritura Sagrada, não vale nada. Mesmo o diabo tentou fazer com que Jesus caísse usando versículos da Palavra de Deus arrancados de seu contexto (Mt 4.3ss). E, como ele fazia e ainda continua fazendo isso, tudo o que ele diz é mentira, mesmo se referindo à Palavra de Deus.


As maiores heresias, opiniões equivocadas e seitas surgiram pela interpretação errada da Palavra de Deus.


Mais um exemplo de como não se deve agir: um filho de Deus querido e devotado às vezes sofre com pensamentos depressivos. Durante uma dessas fases ele teve dúvidas acerca da certeza de sua salvação. Ele conta que pensou várias vezes nos versículos de Hebreus 12.16-17, que dizem: “nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado”. Mas no caso de Esaú não se tratava de um filho de Deus que tinha pecado, mostrado contrição e, ainda assim, se perdido. Não: Esaú era antes de mais nada um ímpio, que vivia dessa forma e tinha desprezado conscientemente o seu direito à primogenitura. Esaú estava muito próximo da promessa destinada a ele, mas a rejeitou com desprezo, não a considerou e nem tomou posse dela. Mais tarde ele também quis herdar uma bênção, mas não era a bênção de Deus. As lágrimas de Esaú não foram derramadas em contrição. Ao contrário, ele tentou obter a bênção por meio de lágrimas – sem arrependimento. O caso de Judas foi parecido, pois ele sentiu remorso, mas não se arrependeu (Mt 27.3-5, veja também 2 Co 7.10).


Em outro trecho, a Bíblia diz a respeito de Esaú: “Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú” (Rm 9.13). Isso significa que não havia nada em Esaú que o Senhor pudesse ter amado: nenhuma sinceridade, nem um pingo de integridade ou de busca pelo favor do Senhor, bem ao contrário de Jacó, que no auge do sofrimento de sua alma orou:“...Não te deixarei ir se me não abençoares” (Gn 32.26). É assim que a ira de Deus se manifestou contra Esaú e permanece sobre qualquer pessoa que rejeita a fé em Jesus (cf Jo 3.36).


Portanto, a questão não é se um nascido de novo pode se perder, mas que uma pessoa que não nasceu de novo, que vive sem Deus, que está perto da redenção (como Esaú) e tem a promessa, perde a salvação porque, em última instância, rejeita a opção e não a aceita para si. Muitos judeus, a quem a Epístola aos Hebreus fora dirigida, só se importavam com as bênçãos, isto é, as vantagens do cristianismo (Hb 10.29), mas não com Jesus. Aquele que permanece indiferente a Jesus Cristo, a indizível dádiva de Deus, comete um erro que não poderá ser perdoado nem na eternidade! 

(Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)